O dízimo na Igreja Católica

13 jan 2014
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Muitos padres e fiéis católicos acham difícil falar sobre este assunto, principalmente por causa das deturpações que tantos verdadeiros mercadores da fé vêm promovendo nos últimos anos, usando meia dúzia de passagens bíblicas como arma para extorquir e explorar pessoas simples e sem formação. Assim enriquecem, cada vez mais, os falsos profetas. O verdadeiro significado do dízimo, porém, é justo e verdadeiramente cristão.

Nos tempos do Antigo Testamento, a Lei de Moisés prescrevia o pagamento obrigatório de 10% dos rendimentos do fiel (pagos na forma de bens e mantimentos, principalmente produtos agrícolas) para manter a tribo de Levi e os sacerdotes, responsáveis pela manutenção do Tabernáculo e depois do Templo, pois eles não podiam possuir heranças e territórios. Esses mantimentos eram também usados para assistir aos órfãos, viúvas e pobres. Depois da destruição do Templo (no ano 70 dC), a classe sacerdotal e os sacrifícios cessaram, e os rabinos passaram a recomendar que os judeus prestassem auxílio aos mais necessitados.

Por ser Cristo o Supremo Sacerdote, consumou o sacerdócio levítico com todas as suas leis, dízimos e costumes, como esclarece o Apóstolo São Paulo na Carta aos Hebreus (Hb 7,1-28): “Com efeito, mudado o sacerdócio, é necessário que se mude também a lei” (Hebr 7, 12). Mais adiante, o mesmo santo Apóstolo arremata: “Com isso, está abolida a antiga legislação, por causa de sua ineficácia e inutilidade” (Hb 7,18).

Hoje, o dízimo é uma doação regular e proporcional aos rendimentos do fiel, que todo batizado deve assumir. É uma forma concreta que o cristão tem para manifestar a sua fé em Deus e o seu amor ao próximo, pois é por meio dele que a Igreja realiza diversas obras de caridade e assistência aos menos favorecidos. Pelo dízimo, podemos viver as três virtudes mais importantes para todo cristão: a Fé, a Esperança e o Amor-Caridade, que nos levam para mais perto de Deus.

O dízimo é um compromisso. Representa a nossa vontade de colaborar, de verdade, com o projeto divino de felicidade para todos. A palavra “dízimo”, que significa “décima parte”, vem dos 10% que os judeus davam de tudo o que colhiam da terra com o seu trabalho. E também hoje todos são convidados a oferecer, de fato, a décima parte daquilo que ganham, mas não somos obrigados. O importante é entender que o dízimo não é esmola. Deus merece a doação feita com alegria, e jamais nos priva da nossa liberdade. Além disso, o que é doado com alegria faz bem a quem recebe!

Cada pessoa deve definir livremente, sem tristeza nem constrangimento, qual percentual dos seus ganhos irá separar para o dízimo. A Igreja não exige a doação de 10% de tudo o que você ganha; porém, para ser considerado dízimo, é preciso que seja um percentual, isto é, uma porcentagem dos seus ganhos, sendo no mínimo 1%. Se alguém ganhar R$ 1.000,00 e oferecer R$ 10,00, isto ainda pode ser considerado dízimo. Menos do que isso, porém, seria uma oferta.

E a experiência pastoral comprova: aqueles que, confiantes na Providência Divina, optaram pelo dízimo integral, não se arrependeram nem sentiram falta em seus orçamentos. Ao contrário, muitos dizimistas dão o testemunho de que depois que passaram a contribuir com a Igreja e a comunidade dessa maneira, passaram a se sentir especialmente abençoados: Deus não desampara os que nele confiam. Mas isso não quer dizer que devemos dar o dízimo esperando “ganhar em dobro”, nem receber algo em troca, como se pudéssemos negociar ou barganhar com Deus. Aqueles que ensinam tais coisas nada entendem do verdadeiro cristianismo, nem compreendem o contexto bíblico, e menos ainda o significado de partilha, que era tão presente na Igreja primitiva.

A entrega do dízimo normalmente é mensal, porque a maioria das pessoas recebe salário todo mês. Já os que recebem semanalmente podem combinar de entregá-lo uma vez por semana, por exemplo. O importante é saber que o dízimo deve ser entregue na comunidade com a mesma regularidade com que recebemos os nossos ganhos.

Já as ofertas são doações espontâneas, com as quais o fiel também pode e deve participar da vida em comunidade, mas nesse caso não existe regularidade, como no dízimo. – Você pode e deve doar na hora do ofertório, durante as Missas, ou fazer depósitos nas caixas de coleta, mas não se trata de um compromisso fixo assumido com a sua comunidade, e sim de uma manifestação de amor, caridade e confiança.

Cada vez mais católicos se conscientizam da importância do dízimo e das ofertas. É bom encontrar a igreja limpa, bem equipada, tudo funcionando bem… Mas, infelizmente, muitos se esquecem de que, para isso, todos precisam colaborar! Somos a família do Senhor, e cada templo da Igreja é uma casa de todos nós. Contamos com o seu desejo de viver comunidade: aceite o chamado do Pai Eterno e diga sim ao compromisso de levar adiante os trabalhos evangelizadores da sua paróquia. Informe-se sobre como se tornar um dizimista. Faça a sua parte!

“Dê cada um conforme o impulso do seu coração, sem tristeza nem constrangimento. Deus ama a quem dá com alegria.” (2Cor 9,7)

Acessoria
Profº Dr. Pe. Vicente de Melo, CSsR (em atividade na Paróquia Nossa Senhora do Bom Sucesso, em Guaratuba – Paraná, e comunidades diversas – janeiro de 2013);
Pe. Luiz Paulo de Souza (atualmente pároco de São José de Vila Zelina, São Paulo – Região Episcopal Belém, Setor Vila Prudente – janeiro de 2013).

http://vozdaigreja.blogspot.com.br/2002/03/o-dizimo-na-igreja-catolica.html

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